Concurso para Guarda-Vidas

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Concurso para Guarda-Vidas

 Ser guarda-vidas não é para quem quer, é para quem tem a missão de salvar vidas, é isso que a arrebentação, como quesito principal do concurso, prova.Havia no ar uma ansiedade muito grande entre os candidatos devido a série de dificuldades para marcar a data da arrebentação, a última etapa da tão sonhada profissão de guarda-vidas. O mais importante era aguardar a subida do mar, porque prova de arrebentação formada por marolas não atendiam ao objetivo, nem da bancada nem dos candidatos. Isso demorou dias, embora o concurso fosse realizado em período de ressacas. A bancada precisava, além de esperar o mar subir, lógico, ainda precisava organizar a estrutura do evento. A ansiedade entre os candidatos continuava. Ao chegarmos ao Salvamar, central de organização do evento, local que íamos todos os dias, precisamente as 07 horas de todas as manhãs. Ao chegarmos, no oitavo dia de espera e ansiedade, fomos surpreendidos com a notícia que o mas estava bem grande na praia da barra da tijuca. Imediatamente foi feita a chamada e todos embarcamos no veículo “choque” em direção a praia da barra. Evidentemente que a ansiedade aumentou mais ainda, principalmente, àqueles que nunca haviam ido no a Barra da Tijuca. Chegando lá aumentou ainda mais a ansiedade e o susto  por causa do tamanho que estava o mar. Alguns, como já disse, não sabiam absolutamente nada sobre o mar  da Barra da Tijuca, nunca tinham ido, ficamos meio perdido sem saber o que fazer, ficamos observando os candidatos das baterias anteriores que já conheciam o mar da barra, entrando e saindo do mar, por onde entravam e por onde saiam. Logicamente, conhecíamos corrente de retorno, vala, mas a falta de conhecimento do mar da barra dificultava a identificação. Continuavamos observando quando, inexplicavelmente, obtivemos orientação em que direção seguir, a localização da corrente de retorno por onde deveriamos entrar; pensamos: se viemos até aqui, sendo aprovados em outras etapas é porque essa é a missão, agora o principal é coragem. A bateria partiu para dentro d’água correndo em direção a direita, exatamente, na boca da vala, todos cairam na água em direção a arrebentação; é bom lembrar que na praia da barra existem três arrebentações, a primeira junto a areia da praia, a segunda entre a primeira e a terceira, essa principal maior e mais volumosa.  A missão era informar ao fiscal localizado na lancha, após a arrebentação, o nome e número afixado no calção. Feito isso era a hora do retorno a praia o que comprovaria a aprovação no teste de arrebentação. O retorno tão difícil quanto a entrada. A ideia era voltar de “jacaré” pois estávamos habituados a fazê-lo em Copacabana. O teste não era apenas ultrapassar a arrebentação, havia o aspecto físico que deveria ser vencido também, grande parte dos candidatos com a condição física abaixo dos 80% , não só pelo mal planejamento dos candidatos quanto as condições fisicasassim como as condições do mar e as características da praia da barra serem completamente diferentes de Copacabana. A chegada a areia da praia não foi um alívio, foi uma sensação imensa de orgulho de mim mesmo ao mesmo tempo sentir que essa era a minha missão. Por isso sou a favor da prova de arrebentação, ela não é para a bancada aprovar o candidato, ela é para o candidato se aprovar.