Concurso para Guarda-Vidas

Histórias de GV's

Concurso para Guarda-Vidas

Ser guarda-vidas não é para quem quer, é para quem tem a missão de salvar vidas, é isso que a arrebentação comprova.

As etapas anteriores do concurso servem para avaliar a capacidade física e habilidade para a natação.

A arrebentação é outra etapa, não é para avaliar fisicamente o candidato, não é para avaliar coragem, que não é ausência de medo, é para avaliar a capacidade de superação, conexão com o salvar vidas ao mesmo tempo superar suas limitações.

No aguardo dessa etapa, os candidatos vivem momentos de intensa ansiedade devido a série de dificuldades da banca examinadora para marcar a data da arrebentação, a última etapa da tão sonhada profissão de guarda-vidas.

Diversos fatores interferem na exatidão da data da prova, o mais importante a subida do mar, mais especificamente, a subida das ondas. Prova de arrebentação deve ser realizada com uma ótima formação de ondas, entre 16(dezesseis) a 20(vinte) pés, são as condições ideais para realização de uma prova de arrebentação para guarda-vidas, menos que isso não atende ao objetivo, nem da bancada nem dos próprios candidatos.

Para que se alcance essa ondulação demanda tempo e isso demora dias, mesmo em meses específicos de ressaca no mar.

O concurso é realizado em período de ressacas. A bancada precisava, além de esperar a ondulação ideal do mar, lógico, necessita organizar a estrutura do evento, como escolher o melhor ponto, analisar as condições e direção do mar para estruturar toda equipe de apoio de terra e mar.

O pior inimigo do candidato é a ansiedade. A presença diária obrigatória, ao Salvamar, central de organização do evento; precisamente as 07 horas de todas as manhãs. A expectativa sobre as condições do mar e ondulações, tudo faz parte da concentração do candidato.

O fim da ansiedade é a notícia que o mar está em ótimas condições de prova, ondulações bem grandes, normalmente na praia da barra da tijuca.

A chamada e o embarque para o local da possível prova de arrebentação, a praia da barra da tijuca.

A ansiedade é maior, principalmente, àqueles que não tem intimidade com ondulações de grande porte, além do desconhecimento da barra da tijuca, onde, normalmente são realizadas as provas de arrebentação por suas características.

Alguns candidatos, como já disse, não conhecem absolutamente nada sobre o mar da Barra da Tijuca, ficam atônitos diante daquela maravilha assustadora.

A lógica prevalece, para aqueles candidatos citados acima, a observação passa a ser o fator principal para transpor a arrebentação, sem o conhecimento prévio, observar aqueles candidatos das baterias anteriores que já conheciam o mar da barra, entrando e saindo do mar, por onde entravam e por onde saiam. Logicamente, o conhecimento mínimo de corrente de retorno, vala, o candidato, obrigatoriamente, deve possuir mas outro fator é o conhecimento da praia e do mar da realização da prova. A observação desses aspectos é fundamental para o sucesso na aprovação.

Essa observação orientará a direção seguir, a localização da corrente de retorno.

O foco é, se viemos até aqui, sendo aprovados em outras etapas é porque essa é a missão, agora o principal é coragem.

Os candidatos adentram o mar, em direção a vala, exatamente, na boca(entrada) da vala(corrente de retorno).

Seguem em direção a arrebentação; é bom lembrar que na praia da barra existem três arrebentações, a primeira junto a areia da praia, a segunda entre a primeira e a terceira, essa principal maior e mais volumosa, ultrapassam as arrebentações e informam ao fiscal localizado na lancha, após a arrebentação, o nome e número afixado no calção.

Após a identificação, é hora de retornar à praia, o que comprova aprovação no teste de arrebentação.

Não se iluda, o retorno à praia é tão difícil quanto a entrada. Os mais íntimos retornam de “jacaré”(surf de peito).

O teste não é apenas ultrapassar a arrebentação, há o aspecto físico que deve ser vencido também, grande parte dos candidatos com a condição física abaixo dos 80%, não só pelo mal planejamento dos próprios candidatos quanto as suas condições físicas, além das difíceis condições do mar interferem negativamente para o sucesso da missão, a aprovação.

O candidato não deve sentir alívio ao chegar a areia da praia, deve experimentar uma sensação imensa de orgulho de si mesmo ao mesmo tempo sentir que essa é a sua verdadeira missão, salvar vidas.

A importância da prova de arrebentação, não é para a bancada aprovar o candidato, ela é para o candidato se aprovar e se identificar nessa nobre missão de salvar.