A Associação de Guarda-Vidas, constituída pelos melhores profissionais em salvamento aquático do mundo, define o afogamento como a submersão em um meio líquido, resultando em dificuldade respiratória ou asfixia. É um tipo de trauma em que ocorre aspiração de líquido não corporal, por meio de submersão ou imersão. O indivíduo, sobrevivendo ou não, será considerado como vítima de um episódio de afogamento.
A maioria dos afogados são pessoas jovens, saudáveis, com expectativa de vida de muitos anos, o que torna imperativo um atendimento imediato, adequado e eficaz, que deve ser prestado pelo Guarda-Vidas ou socorrista imediatamente após ou mesmo, quando possível, durante o incidente, ainda dentro da água.
Em diversos casos de afogamentos, no caso específico de afogado desacordado dentro d’água, durante o incidente, os Guarda-Vidas do Corpo Marítimo de Salvamento, da Secretaria de Segurança Pública executaram o procedimento de ressuscitação do afogado; baseia-se em oxigenação rápida, priorizando as ventilações iniciais (respiração boca-a-boca) e seguidas de ciclos de compressões e ventilações (RCP) em superfície firme, esse procedimento ajudou a salvar milhares de pessoas
O atendimento pré-hospitalar a casos de afogamento é diferenciado de muitos outros, pois necessita que se inicie pelo socorro dentro da água. Este atendimento exige do socorrista conhecimento do meio aquático para que não se torne mais uma vítima.
Quais as fases de um afogamento?
A pessoa que sofre um afogamento atravessa três fases distintas. Na primeira, conhecida como fase de angústia, ela enfrenta dificuldades para se manter na superfície da água, sente confusão e percebe uma diminuição de suas forças.
Na segunda fase, a de pânico, a pessoa experimenta fadiga e se torna incapaz de manter sua flutuabilidade. Por fim, na fase terceira delas, a de submersão, ela submerge e desaparece sob a água. A partir desse ponto, a chance de um resgate bem-sucedido diminui.
Como socorrer uma pessoa que se afogou?
O salvamento dentro da água requer técnica e preparação, visto que muitas pessoas perdem a vida ao tentar resgatar alguém que está se afogando.
Em situações de afogamento, chame imediatamente o guarda-vidas ou ligue para o 193 (Corpo de Bombeiros). Se não houver possibilidade de socorro próximo e você se sentir capaz de ajudar, leve consigo um material flutuante, como uma prancha, um galho ou uma corda. Estenda esse material para que a pessoa em afogamento possa se segurar nele, evitando o risco de fazê-la submergir ao agarrar-se a você.
Fora da água, se receber instruções do atendente do serviço de emergência, socorra a vítima e encaminhe-a ao hospital. Caso contrário, aguarde a chegada da equipe especializada. Durante esse período, mantenha a vítima deitada lateralmente.
Epidemiologia do Afogamento
A epidemiologia do afogamento é o estudo dos padrões, causas, fatores de risco e distribuição dos incidentes de submersão/imersão (3ª maior causa de morte não intencional no mundo). Analisa dados para direcionar prevenção, focando principalmente em crianças (1-4 anos) e homens jovens, frequentemente em águas naturais ou piscinas durante o verão.
Principais Aspectos Epidemiológicos (Dados Gerais e Brasil):
- Perfil: Alta prevalência em crianças menores de 4 anos e sexo masculino.
- Local: A maioria ocorre em águas naturais (rios, praias) e piscinas.
- Riscos: Comportamentos de risco, consumo de álcool (adultos), falta de supervisão e baixo nível socioeconômico.
- Impacto: 9 em cada 10 óbitos ocorrem antes da chegada ao hospital, tornando a prevenção crucial.
- Sazonalidade: Maior incidência nos meses de verão e finais de semana.
A epidemiologia ajuda a identificar “quem, onde e quando” os afogamentos ocorrem, fundamentando políticas públicas de segurança aquática.
Fatores de Risco
A epidemiologia identifica comportamentos e condições que aumentam as chances de incidentes, como o consumo de álcool, a falta de supervisão de crianças, o desconhecimento de riscos aquáticos e a ausência de barreiras (como cercas em piscinas).
O afogamento é a principal causa de morte por trauma entre crianças com menos de 15 anos de idade. Mais de 500.000 mortes por afogamento acontecem por ano, o que representa 0,7% de todas as mortes, embora este número seja uma subestimação, pois muitos óbitos por afogamento não são classificados dessa forma.
O número de óbitos por afogamento em nosso país não é tão elevado, se levarmos em consideração os cerca de 7.491 km a 7.500 km. É um dos maiores do mundo, atravessando 17 estados e mais de 2.000 praias. A grande maioria das vítimas sobrevive a eventos de submersão, com efeitos que vão desde lesões mínimas ou transitórias até insultos neurológicos profundos.
O maior pico é em crianças com menos de 5 anos, o segundo maior pico é naquelas com idade entre 15 e 24 anos e o terceiro maior pico está em idosos. Crianças pequenas afogam-se principalmente depois de cair em piscinas ou água aberta, mas também se afogam em banheiras e baldes no ambiente doméstico.
Mesmo em áreas costeiras, a maioria dos afogamentos ocorre em águas quentes e em água doce, especialmente piscinas. Embora as praias sejam um grande atrativo para turistas e o local onde ocorre o maior número de salvamentos, não é na orla e sim em águas doces onde ocorre o maior número de afogamentos com morte.
Fisiopatologia do Afogamento
A maioria dos casos de afogamento acontece pela incapacidade da vítima de manter a sua via aérea acima da superfície da água, mas outras condições que a levam a afogar-se devem ser ativamente pesquisadas:
- Incapacidade de nadar.
- Comportamento de risco.
- Hiperventilação: a necessidade urgente de respirar é devida principalmente ao aumento da PaCO2. A hiperventilação diminui a PaCO2, mas não aumenta a PaO2. Portanto, a hiperventilação pré-mergulho leva à diminuição da necessidade de respirar, mas, com o consumo de oxigênio, a hipóxia cerebral pode levar à perda de consciência e afogamento.
- Falta de supervisão adulta.
- Hipotermia.
- Intoxicação alcoólica.
- Infarto agudo do miocárdio.
- Arritmia.
- Hemorragia subaracnóidea.
- Acidente vascular cerebral (AVC).
- Epilepsia (15 a 20 vezes o risco de afogamento).
- Trauma (principalmente se associado a história de mergulho em águas rasas).
- Suicídio (adolescentes e adultos) e homicídio (crianças).
- Uma pessoa que está se afogando não consegue manter as vias aéreas livres de líquido, de modo que a água que entra na boca é voluntariamente cuspida ou engolida. A resposta imediata é tentar segurar a respiração, mas após um minuto a água é aspirada para as vias aéreas e a tosse ocorre como uma resposta reflexa.
